segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Falso ideal

Eu precisava ir até o banco, no centro da cidade. Resolvi então pegar um ônibus. Porém, no ônibus em que entrei, estavam gravando um filme pornô. Levei um susto quando vi. Ora, não é sempre que isso me acontece, mas decidi agir naturalemente. Foi então que fiz uma retrospectiva dos filmes do gênero que já havia assistido e pensei: "E por que não?"
Me dirigi para onde estavam gravando e tentei me meter no meio do "bem-baum". Não deixaram. "Como assim, não posso?" Não podia, não era um ator contratado e não tinha experiência. "Olha, meu caro, acho melhor não entrarmos nesses méritos, estou meio enferrujado, mas ainda tenho bala na gulha!" Ele respondeu que não era disso que falava, que não tinha experiência com os filmes, quis ele dizer. Ia retomar meu lugar no ônibus, mas não, resolvi continuar tentando. Afinal, em todos os filmes que alguém pega outros alguéns transando, ele entra na brincadeira sem ser questionado. Quando eu tenho uma oportunidade, sou? Não mesmo!
Continuei a discução com os responsáveis. Só então percebi o que estava fazendo. Os atores já não estavam no clima, a equipe cansada de mim, todos insatisfeitos. Então me desculpei com o pessoal. Incentivei o ator para que, né, voltasse a ativa e sentei-me no meu lugar.
Ficamos assim. Por mais que eu tenha reconhecido na indústria pornô os mentirosos que são, pois apresentam uma coisa e exigem outra, mantivemos nossa boa relação. Eu ajudei a eles, eles me ajudam. Quanto a suas falsidades, ninguém precisa saber que aquilo não acontece realmente.
Cheguei no banco com a consciência limpa.

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