terça-feira, 30 de agosto de 2011

V de Vingança




Provavelmente, a maioria conhece o personagem V, há um filme que leva como título V de Vingança. Se não conhecem, aconselho a verem o filme. Mas o que publicarei aqui é um suporto diálogo entre V e a Estátua da Justiça. Para quem não sabe, V estava desgostoso com o governo e a não liberdade importa por ele.

"- Olá, formosa dama. linda noite, não? Perdoe-me a interrupção, talvez a senhorita pretendesse passear... Apenas desfrutar a paisagem. Não importa, creio que é chegado o momento de uma breve conversa. Ahh, eu me esqueci de que não fomos apresentados. Eu não tenho um nome, mas pode me chamar de V.
- Madame Justiça... esse é V. V... esta é Madame Justiça.
- Olá, Madame Justiça.
- Boa noite, V
- Pronto, agora já nos conhecemos. Para ser sincero, outrora fui um admirador seu. Até imagino o que está pensando.'O probre rapaz tem uma queda por mim, uma paixão juvenil'. Perdoe-me, mas não é este o caso. Eu dizia a meu pai: 'quem é aquela moça?' E ele respondia: 'É a Madame Justiça.' Ao que eu replicava: 'Como é bela.'Eu a admirava, apesar da distância. Ainda criança, ao passar na rua, admirava sua beleza. Por favor, não pense se tratar apenas de atração física. Em absoluto eu a amava como pessoa, como ideal. Isso foi há muito tempo. Agora, confesso que há outra...
- O quê? Que vergonha, V! Traindo-me com uma meretriz de lábios pintados e sorriso vulgar!
- Eu, Madame? Permita-me uma correção. Foi sua infidelidade que me arremessou nos braços dela! Ahá! Ficou surpresa, não? Pensou que eu desconhecia suas espacadelas? Enganou-se. Eu sei de tudo. Na verdade, não me surpreendi quando soube que você flertava com homens de uniforme.
- Uniforme? E-eu não sei do que está falando. Sempre foi você, V... O único em minha vi...
- Metirosa! Meretriz! Ousa negar que se deixou envolver por ele, com suas braçadeiras e botas?
...
- O gato comeu sua língua? Foi o que pensei. Muito bem, a verdade foi revelada. Você não é mais a minha justiça, é a dele. Recebeu outro em sua casa. Faça bom proveito do seu novo amante.
- Snif, snif. E quem é ela? Como se chama?
- Seu nome é Anarquia. E ela me ensinou mais como amante do que você supõe. Com ela, aprendi que não há sentido na justiça sem a liberdade. É honesta. Não faz promessas e nem deixa de cumprí-las como você. Eu costumava indagar por que você nunca me olhou nos olhos. Agora eu sei. Por isso, adeus, cara dama. Nossa separação não me entristesse, uma vez que não é mais a mulher que amei outrora. Eis um último presentinho (V deixa um embrulho em forma de coração com uma bomba dentro). Deixo a seus pés.
(A bomba explode)

- As chamas da liberdade. Que adorável, quanta justeza, minha preciosa Anarquia...

'Ó, beldade, até hoje eu te desconhecia.'"

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Falso ideal

Eu precisava ir até o banco, no centro da cidade. Resolvi então pegar um ônibus. Porém, no ônibus em que entrei, estavam gravando um filme pornô. Levei um susto quando vi. Ora, não é sempre que isso me acontece, mas decidi agir naturalemente. Foi então que fiz uma retrospectiva dos filmes do gênero que já havia assistido e pensei: "E por que não?"
Me dirigi para onde estavam gravando e tentei me meter no meio do "bem-baum". Não deixaram. "Como assim, não posso?" Não podia, não era um ator contratado e não tinha experiência. "Olha, meu caro, acho melhor não entrarmos nesses méritos, estou meio enferrujado, mas ainda tenho bala na gulha!" Ele respondeu que não era disso que falava, que não tinha experiência com os filmes, quis ele dizer. Ia retomar meu lugar no ônibus, mas não, resolvi continuar tentando. Afinal, em todos os filmes que alguém pega outros alguéns transando, ele entra na brincadeira sem ser questionado. Quando eu tenho uma oportunidade, sou? Não mesmo!
Continuei a discução com os responsáveis. Só então percebi o que estava fazendo. Os atores já não estavam no clima, a equipe cansada de mim, todos insatisfeitos. Então me desculpei com o pessoal. Incentivei o ator para que, né, voltasse a ativa e sentei-me no meu lugar.
Ficamos assim. Por mais que eu tenha reconhecido na indústria pornô os mentirosos que são, pois apresentam uma coisa e exigem outra, mantivemos nossa boa relação. Eu ajudei a eles, eles me ajudam. Quanto a suas falsidades, ninguém precisa saber que aquilo não acontece realmente.
Cheguei no banco com a consciência limpa.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Na poça da rua
o vira-lata
lambe a lua

-
Millôr Fernandes

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

DA LINGUAGEM E SUAS (I)LIMITAÇÕES

Que a linguagem é nossa forma mais comum de tranferir alguma mensagem todos sabem e isso é consensual. Porém revelo aqui minhas dúvidas e as preocupações referentes à ela, porque deve haver algo de muito errado nela. O primeiro problema que encontro é infinidade de interpretações possíveis diante de um texto. Eu posso interpretar um poema de um modo, talvez até de acordo com meu estado de espírito. Um engenheiro que o leia pode interpretar de outra forma, e talvez nenhuma das formas sejam a correta. Vejam só, um impasse!
Acredito que a linguagem escrita e falada, quando tomadas isoladas, são os piores meios de comunicação que poderiam haver. Elas abrem um leque que, talvez, seja desnecessário para entender qualquer coisa discursiva. Talvez tenha nascido dai (e talvez a partir de agora eu respeite mais) a Lógica Argumentativa. Falando rapidamente, é um "estudo do argumento através da mera forma lógica, impossibilitando o discurso de ser contraditório". Sinceramente, acho ainda mais limitado ser dependente disso, de uma forma que nos enrijece, porém, datas as condições, a lógica começa a se tornar atraente...
Mas, de que condições estou falando?
Ora, da profunda ignorância diante das diversas linguagens. Nossa linguagem não se mostra apenas nos discursos escritos e falados, mas também através de gestos, sinais, símbolos (todos presente nas artes e também no nosso dia-a-dia). Essas formas estão todas aí, e estão explicitamente e enraizadas em nós sendo uma forma complemento da outra. Em um teatro ou filme, a música ou os objetos cênicos são complementos do discurso apresentado.
Não percebemos essa necessidade de complementação da linguagem, isso nos induz ao erro. Isso nos proporciona, talvez, apenas uma possibilidade de interpretação, sendo a errada. Mas se apresentarmos uma mensagem com um conjunto de linguagem em harmonia, serão possíveis inúmeras interpretações? Será que não estaremos sendo mais precisos? Como na Geografía, acredito que, quanto mais coordenadas apresentarmos, mais próximos de achar determinado local estaremos. Na linguagem também é assim? Aí já não sei. Aposto minhas fichas que sim, mas não posso fazer mais que uma mera aposta.



Um abraço e leiam bastante para exercitar o cérebro!