Em uma certa conversa, Fulano falava com um certo Físico sobre suas especulações sobre o mundo. Em determinada parte da conversa, ambos se mostraram divergentes diante da noção de verdade. Dizia Fulano aquilo que lhe parecia óbvio: "Ora, a verdade faz correspondência com o mundo. Se o mundo não apresenta algo que afirmo verdadeiro, então isso não é verdadeiro."
Então o Físico disse aquilo que, para ele, era o óbvio: "Ora, você está errado. Pois a verdade é relativa. Se eu acredito em algo, esse algo é verdadeiro."
Fulano ficou surpreso com essa proposição e encontrou uma oportunidade de tornar pública suas especulações. Então começou suas explanações.
- Pois bem, então falemos sobre esse copo que está sobre a mesa... - Fulano fazia, assim, referência aos objetos próximos deles.
- Mas o copo não está sobre a mesa.
Fulano ficou surpreso com a proposição, mas já a esperava, pois para um físico qualquer, precisa-se explicitar, de fato, aquilo que tomamos como referência. Pois certas coisas variam conforme o referencial, é o que eles dizem. E provavelmente era nisso que o Físico pensava.
- Por que o copo não esá sobre a mesa? - Perguntou Fulano.
- Porque ele está sendo puxado para o centro da Terra.
Fulano ficou embasbacado com tal argumento. "Ora, o fato de ser puxado para o centro da Terra pela força da gravidade não anula o fato de que o copo está em cima da mesa", assim alegou o especulador. Porém, o Físico continuou como refutador de qualquer tese, até o momento em que se contra-disse: "O copo está sobre a mesa."
Isso deixou Fulano aliviado, pois os problemas do dito Físico não é sobre sua razão, mas sim uma questão de linguagem.
Após muita discução e exemplos e contra-exemplos apresentados, Fulano continuou com sua tese de que toda verdade é absoluta, enquanto o Físico permanecia crente em sua verdade relativa.
Então Fulano pensou naquilo que seria a vitória de sua teoria, enfim chegariam a um denominador comum referente ao assunto.
"Pois bem, então afirmaremos que 2+2=4. Isso provavelmente é o que você acredita". Dessa vez o Físico teve a ombridade de não refutar. Realmente Fulano provaria que estava certo...
"Porém, eu acredito que 2+2=5. E isso não pode ser verdade."
Aí entrou o momento derradeiro... "Se tu acredita nisso, então é verdade para ti."
Fulano ficou atônito. Como poderia um físico refutar a base de sua ciência?!
"Mas isso é absurdo! Isso seria uma falsa verdade!"
- Pode ser uma verdade-falsa, mas tu acredita nisso, então essa é a tua verdade.
"Verdade-falsa?", questionou-se em pensamento Fulano. Concluiu que já não podia debater com o Físico, não por ser derrotado em seus argumentos, mas por ser ele obtuso. Então tomou uma decisão...
- Vou ligar para a polícia. Estou na presença de um assassino.
- Como é? - Agora era o refutador quem estava atônito.
- Sim, você é um assassino!
- Não fale besteira, você sabe que não.
- Desculpe, mas eu sei que é. Ora, eu acredito nisso, então isso é verdade independente do que tu me diga.
- Estás sendo irracional. É só por causa do diálogo?
- De modo algum. E estou sendo completamente racional, segundo sua tese...
Fulano já não se importava com o desfeixo da história, mas se o Físico aceitasse tal destino, seria obrigado a respeitá-lo, pois estaria se sacrificando em função de sua teoria. Fazer isso diante da situação seria demonstrar fielmente sua crença em suas teses, por mais absurdas que fossem.